Ata de Registro de Preços para Fornecedor

Ata de Registro de Preços para fornecedor

Como entrar, gerenciar saldo, reajustes e riscos de penalidade

Ata de Registro de Preços para Fornecedor

Vamos conversar “de fornecedor para fornecedor”.

Você olha uma Ata de Registro de Preços (ARP) e pensa: “Pronto, ganhei. Agora é só esperar os pedidos”. Aí vem o primeiro choque de realidade: ata não é contrato garantido. Ela é uma espécie de “cardápio oficial” com seu preço e suas condições, para o órgão comprar quando precisar.

Isso pode ser ótimo, porque abre porta para vendas recorrentes. Mas também pode virar dor de cabeça se você não dominar quatro coisas: entrada, saldo, preço (reajuste/revisão) e risco de penalidade.

Vou te guiar nisso de um jeito simples, direto, e com a visão prática de quem quer vender sem tomar prejuízo nem punição.

 

A pergunta que muda tudo: “Ata me obriga a quê?”

A resposta é curta: a ata te compromete a atender quando for convocado, dentro das regras, mas não obriga o órgão a comprar de você tudo aquilo que estimou.

Em outras palavras: o órgão pode comprar muito, pouco, ou até nada. Já você não pode “sumir” quando aparece o empenho ou a ordem de fornecimento, salvo um motivo bem justificado e formalizado.

Se você entender isso logo no começo, você evita o erro clássico: montar o caixa da empresa contando com um volume “prometido” que, na prática, era só estimativa.

 

“Tá. Mas como eu entro em uma ata do jeito certo?”

Vamos por partes.

Primeiro, a entrada começa bem antes da licitação. Se você acompanha o PNCP e os portais, você percebe quando o órgão está se preparando para registrar preços. Esse “aquecimento” costuma aparecer em movimentos como levantamento de mercado, pesquisa de preços e, em alguns casos, a intenção de registro para juntar demandas de vários órgãos.

Por que isso importa? Porque SRP bom, para fornecedor, é o SRP que tem demanda real. Quando o edital nasce sem esse cuidado, costuma vir com estimativa chutada, item “fantasma” e consumo fraco.

Segundo, leia o edital com uma lupa diferente. No SRP, a sua “proposta vencedora” não termina na sessão. Ela começa ali e continua por meses. Então, além de preço, você precisa olhar:

  • como é o prazo de entrega (e se é realista);
  • como será a convocação (empenho, contrato, ordem de fornecimento);
  • se existe possibilidade de vários órgãos comprarem (órgão gerenciador e participantes);
  • se o objeto exige logística, estoque, assistência técnica, equipe local, etc.

E aí vem uma pergunta simples e poderosa:

“Se eu tiver que atender esse item 3 vezes no mês, por órgãos diferentes, eu consigo sem virar caos?”

Se a resposta for “talvez”, você já achou o risco.

Terceiro, entenda a lógica do ‘cadastro de reserva’. Em muitas atas, além do primeiro colocado, ficam registrados outros fornecedores para o mesmo item, para cobrir situações como recusa, incapacidade de atendimento ou cancelamento do registro do vencedor.

Isso abre uma estratégia: às vezes você não ganha em primeiro, mas entra no radar e pode ser chamado em cenários concretos. Só que isso só é bom se seu preço e sua capacidade de entrega forem realmente sustentáveis.

 

“Assinei a ata. E agora?” (Aqui é onde muita gente se enrola)

Aqui começa a parte de gestão. Se você não tratar a ata como um “projeto” com controle interno, você perde dinheiro ou toma penalidade.

Vou te explicar o que você precisa controlar como se fosse o painel do seu carro.

Você tem que ver:

  • quanto foi registrado por item;
  • quanto já foi consumido (contratado/solicitado);
  • qual é o saldo disponível;
  • quais são os prazos de cada chamada;
  • o histórico de pedidos (quem pede, com que frequência, e com que urgência).

É comum o fornecedor confiar só no sistema do órgão e esquecer de ter o próprio controle. Aí, quando percebe, já está com prazos estourando, saldo confuso e comunicação falhando.

Se você vende para mais de um órgão dentro da mesma ata, esse controle vira obrigatório. Porque um órgão pode consumir rápido, outro pode não consumir nada, e isso mexe com seu planejamento de estoque, frete e equipe.

 

“Posso fornecer a mais do que está na ata?”

Em regra, você não “aumenta” quantitativo da ata por vontade das partes. A ata tem limites.

Na prática, pode existir compra adicional por outro caminho (novo procedimento, nova contratação, outro instrumento), mas não é “esticando” a mesma ata como se fosse um contrato com aditivo livre.

Então, o que você faz? Você vende dentro do saldo e, se o órgão quiser mais, isso precisa seguir o caminho correto.

 

“E se o órgão remanejar quantidades?”

Isso acontece. E quando acontece, muda seu fluxo.

Pensa assim: o órgão A não vai consumir aquele item. O órgão B está com necessidade urgente. O gerenciador pode reorganizar a distribuição (dependendo das regras do edital/ata e do sistema usado).

Para você, fornecedor, isso significa duas coisas:

  1. você pode receber pedidos que não estava “esperando” de um órgão específico;
  2. você precisa ter clareza documental: quem pediu, qual item, qual saldo, qual prazo, qual endereço, qual responsável.

Remanejamento não é problema por si só. O problema é remanejamento sem comunicação clara, somado a fornecedor sem controle interno.

 

Agora o ponto mais sensível: reajuste, revisão e “meu custo subiu”

Aqui muita empresa toma penalidade por agir tarde.

Vamos ser diretos: se seu custo subiu e você começa a atrasar entrega para “forçar” renegociação, isso pode virar sanção. O caminho mais seguro é outro: você formaliza o pedido antes de descumprir.

E tem duas situações típicas.

Quando o mercado cai (preço de mercado fica menor que o registrado).

O órgão pode te chamar para negociar redução. Isso é normal. O órgão quer comprar com preço compatível com o mercado.

Aqui você precisa ter política de preço mínima. Se a redução ainda mantém sua operação saudável, você negocia. Se a redução te quebra, você não deve aceitar “no desespero” para manter volume. Volume sem margem vira prejuízo disfarçado.

Quando o mercado sobe (preço de mercado fica maior que o registrado).

Aqui o fornecedor costuma dizer: “Não dá, eu não consigo cumprir”. Só que o “não dá” precisa virar um processo bem feito.

O que costuma funcionar melhor é:

  • apresentar um pedido formal;
  • provar a alta (documentos, cotações, notas, índices, planilha);
  • explicar por que o preço registrado ficou inviável;
  • pedir a medida adequada prevista nas regras (atualização, revisão, negociação, conforme o caso).

Repare que eu falei “provar”. Pedido sem prova costuma ser indeferido. E aí você fica numa sinuca: ou entrega com prejuízo, ou não entrega e corre risco de penalidade.

Se você quer um comportamento prático para adotar na empresa, guarda esta frase:

“Custo subiu? Protocola antes do atraso.”

 

“Quanto tempo dura uma ata?”

A ata tem prazo de vigência definido. Em muitos casos, é de um ano, com possibilidade de prorrogação se for vantajoso e se as regras permitirem.

Isso impacta seu planejamento, porque:

  • existe uma janela para pedidos;
  • perto do fim da vigência, alguns órgãos aceleram pedidos;
  • e existe risco de “pedido em cima da hora” com logística apertada.

O fornecedor organizado antecipa isso: acompanha a data, conversa com o órgão, planeja estoque e transporte.

 

Onde mora o risco de penalidade (e como não cair nele)

Vou falar sem juridiquês: penalidade geralmente nasce de quebra de confiança com o órgão, somada a falhas de comunicação e descumprimento de prazos.

Os cenários mais comuns são:

1) Você é convocado e não responde no prazo.

Às vezes não é má-fé. É desorganização: e-mail não monitorado, responsável ausente, falta de rotina interna. Resultado: o órgão entende como recusa ou desinteresse.

2) Você aceita e não entrega.

Aqui o risco sobe. Se você assumiu o compromisso e não entregou, o órgão pode iniciar processo de penalidade, cobrar multa, cancelar seu registro e ainda impedir você de contratar por um período.

3) Você “desaparece” quando o custo sobe.

Ao invés de formalizar pedido de revisão, o fornecedor some, tenta “empurrar com a barriga” ou entrega parcial sem alinhamento. Isso costuma terminar mal.

4) Você entrega, mas fora da especificação.

No SRP, o órgão pode rejeitar o objeto e isso vira retrabalho, atraso e risco contratual. Conferência técnica e controle de qualidade são parte do jogo.

Quer uma regra simples de autoproteção? É esta:

Se você prevê qualquer risco de não cumprir, avise antes, por escrito, com justificativa e evidência.

Isso não garante que o órgão vai aceitar. Mas reduz muito a chance de o problema ser tratado como “descumprimento puro”.

 

O que eu recomendo como “rotina interna” para fornecedor de SRP

Sem complicar:

Você cria um pequeno “protocolo SRP” na empresa. Algo como:

  • alguém é responsável por monitorar convocações e prazos todos os dias úteis;
  • todo pedido recebido vira um registro interno: item, quantidade, prazo, local, responsável, número do empenho/ordem;
  • antes de aceitar, você confirma se tem estoque/logística;
  • se houver risco, você comunica imediatamente e formaliza;
  • se custo subir, você reúne prova e protocola pedido antes de falhar.

Percebe que não tem mágica? É processo. E processo simples, quando é seguido, evita prejuízo e penalidade.

 

Fechando a conversa: SRP dá dinheiro, mas “paga” quem sabe operar

O SRP pode ser um ótimo motor de vendas. Só que ele não perdoa improviso. Quem ganha de verdade é o fornecedor que entra com preço consciente, assina com preparo e administra a ata como operação contínua: controle de saldo, rotina de resposta, gestão de prazos e estratégia de preço.

 

Se você quiser tirar dúvidas sobre SRP/ARP, reajustes, saldo, penalidades ou qualquer outro tema de Licitações e Contratos, fale comigo direto no WhatsApp: https://bit.ly/41l59G2. Vou te orientar com clareza, objetividade e foco na melhor estratégia para o seu caso.

 

MarcosSilvaConsultoria

Especialista em Licitações Públicas, Graduado em Química Industrial, Pós-Graduado em Gestão Empresarial (MBA Executivo), trabalha com licitações públicas desde 1988 e atua como Consultor/Analista de Licitações desde 2010.

Especialista em Licitações Públicas, Graduado em Química Industrial, Pós-Graduado em Gestão Empresarial (MBA Executivo), trabalha com licitações públicas desde 1988 e atua como Consultor/Analista de Licitações desde 2010.

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